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23/05/2012

Filme Na estrada é o desafio da literatura americana no cinema

France Presse

Kristen Stewart (Crepúsculo) participa do longa Na estrada

O escritor Jack Kerouac gostaria de ter visto Marlon Brando no papel do lendário herói apaixonado Dean Moriarty na adaptação para o cinema de seu livro Pé na estrada (On the road). Mas a obra demorou mais de 50 anos para chegar às telas, em um dos desenvolvimentos mais longos da história do cinema. Dirigido pelo brasileiro Walter Salles, Na estrada estreia em Cannes nesta quarta-feira (23/5) na disputa pela Palma de Ouro.

Inicialmente, os direitos foram adquiridos em 1978 por Francis Ford Coppola, que posteriormente o ofereceu para, entre outros, Jean-Luc Godard e Gus Van Sant. Seu filho Roman também tentou, sem sucesso, enfrentar o desafio.

Segundo Karmitz, dois grandes obstáculos estavam no caminho de Na estrada para o cinema: contar "histórias de sexo, drogas, energia e encontros, sem nenhuma narrativa linear, o que é muito diferente das armas usadas pelos estúdios americanos" e filmar um "road-movie histórico" em uma América modelada em torno de shoppings.

Com Diários de motocicleta em 2004, que narrou a viagem de Che Guevara pela América do Sul, Walter Salles se transformou no "mestre do road-movie e dos filmes complexos", sorri o produtor, apadrinhado por Coppola, que o descobriu no Festival de Sundance.

Salles refez três vezes o caminho de Na estrada, de leste a oeste de Nova York até São Francisco atravessando o México, para mergulhar em seu universo, conhecer os últimos protagonistas ainda vivos e aumentar seu interesse pela história do jazz. Foram "três anos de procura e pesquisas, que ele filmou como um documentário" antes de escrever o roteiro, conta Charles Gillibert, cúmplice de Natanael Karmitz na produção.

Uma aventura, não uma reconstituição

O projeto, assinado em Los Angeles em janeiro de 2010 e concluído em maio em Cannes com os co-produtores europeus, foi realizado com um orçamento de 25 milhões de euros e filmado durante o verão. Os atores foram escolhidos logo no início, mas "Garrett Hedlund recusou por dois anos", enfatiza Gillibert. Enquanto isso, a carreira de Kristen Stewart (Crepúsculo) explodiu. "Walter Salles trancou os atores em um loft em Montreal, em julho, uma espécie de acampamento para acostumá-los a viver juntos, para que esta energia fluísse naturalmente nas telas", segundo Gillibert.

As filmagens começaram em agosto com suas complicações,"a América dos anos 40 não existe mais, um terço dos lugares foram decididos durante as filmagens. Foi uma aventura, não uma reconstrução". Arizona, Novo México, Canadá, Califórnia, México. Procuraram a neve dos invernos canadenses na Argentina, em Bariloche, levando o "Hudson" de colecionador, o carro da equipe selvagem.

"A única maneira de dar tudo certo, era ter um chefe (o cineasta francês Eric Gautier) que conseguiu trabalhar com os meios à mão e os atores que, apesar de sua fama, estavam prontos para essa aventura", acrescenta Charles Gillibert. "Este livro mudou a vida de muitas pessoas, o filme fez o mesmo".


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