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04/07/2012

Brasília recebe pela primeira vez o espetáculo Tão longe, tão perto, tão perto, tão

Adriana Izel

As duas bailarinas representam um reality show "ao contrário" na montagem

O espetáculo de dança contemporânea Tão longe, tão perto, tão perto, tão chega pela primeira vez a Brasília com exibição única nesta quarta-feira (4/7), às 21h, no Espaço Cultural Mosaico. A montagem, que tem direção e coreografia de Eva Schul, retrata por meio do trabalho de duas bailarinas um "reality show" ao contrário, onde o público espia da residência - feita por uma instalação no palco - a parte mais sensível do cotidiano. "Ao invés de observar os modelos como é feito a todo o momento no mundo dos realitys e também no midiático, o público poderá ver a retratação dos sentimentos", explica Eva. A coreógrafa ainda destaca que a peça mostra aquela sensação de "como é estar perto de alguém e mesmo assim se sentir longe".

Tão longe, tão perto... existe há alguns anos. O processo de criação do espetáculo se deu ainda quando Eva Schul estava fora do Brasil. As primeiras ideias começaram a ser "jogadas" na internet e as bailarinas começavam a trabalhá-las. "Elas ficavam improvisando e no fim eu fiz a direção. Na verdade, eu acredito que minha atuação é quase como a de um maestro (em uma orquestra)", conta Eva. A improvisação foi uma grande aliada da montagem porque dessa forma as bailarinas tiveram a oportunidade de representar na obra o que pensavam e acreditavam: "O bailarino não é um mero representante das minhas ideias. Então acho importante que quando ele está na obra ele também fale sobre o que pensa".

Apesar de ser a primeira vez em Brasília, o espetáculo já foi apresentado em diversos estados brasileiros e em diversas formas. Eva Schul diz que no início o cenário era mais simples, depois o espetáculo perdeu o cenário por um tempo para viver uma "coisa mais crua" até chegar a instalação utilizada hoje para representar uma casa. A ideia é do cenário é trazer o público para dentro do trabalho. "Gosto de trabalhar com coisas que se relacionam com o meu mundo e meu meio ambiente. Também quero cada vez mais dialogar com o público de forma frente a frente para que eles posam se sentir participantes do espetáculo. Eu me afasto daquela coisa mágica do palco italiano", afirma a diretora de Tão longe, tão perto, tão perto, tão.

Sobre a escolha da exibição desta vez na capital federal, Eva conta uma história antiga de quando a companhia Ânima Cia de Dança estava em turnê no Nordeste. "Resolvemos convidar as pessoas que estavam no nosso voo para Aracaju para assistir ao espetáculo e lá tinham dois brasilienses que nos perguntaram porque nós nunca tínhamos ido até Brasília. Aquilo ficou em minha cabeça. Mas já estávamos gastando muito vindo do Rio Grande do Sul para o Nordeste. Desde então queríamos vir a Brasília", diz Eva.

Após o espetáculo, que dura cerca de uma hora, Eva Schul e toda a equipe convidam o público para o bate-papo sobre a peça exibida. É uma forma de ter o feedback. "Esse diálogo conosco é um jeito de ver se o olhar deles responde com o nosso. Essa conversa mexe com o processo e com os nossos conceitos. Eu acho que ele cria uma troca com a plateia", finaliza a coreógrafa.


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