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26/04/2008

Monólogo de Zezé Polessa aborda o casamento e o universo feminino

Arthur H. Herdy
Especial para o Correio Braziliense

Zezé Polessa encarna a escritora Viviana

Estar sozinha em cena não amedronta Zezé Polessa. Protagonista do monólogo Não sou feliz, mas tenho marido, a atriz passa aproximadamente uma hora e meia em cena no papel de uma mulher que, após 27 anos de casamento, resolve lançar um livro sobre o período. “Todas as relações que estabeleço com meus colegas em cena canalizo para mim no monólogo. Claro que é um pouco mais exaustivo, tenho mais responsabilidade, mas, no fim, é uma escola”, conta Zezé. Não sou feliz, mas tenho marido estará em curta temporada na cidade: amanhã, às 21h, e domingo, às 20h, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional. Há dois anos e meio em cartaz, a peça passará por Brasília após sucesso em outros cantos do país.

O espetáculo se baseia no livro homônimo escrito pela jornalista Viviana Gómez Thorpe e já teve montagens de sucesso na Argentina, terra natal da escritora. Zezé Polessa dá vida a Viviana. Casada há quase três décadas, a personagem lança um livro contando as agruras da vida ao lado de um homem, o entendimento das peculiaridades, as diferenças inconciliáveis e o equilíbrio de funções. “No fundo, Viviana é um pouco de todas as mulheres. Durante um tempo, por curiosidade, comecei a observar uns casais. Vi como as mulheres se portavam, alguns absurdos que faziam. Quando recebi o livro, logo me inspirei nessas situações”, conta a atriz, que ajudou Maria da Luz e o diretor Victor Garcia Peralta a adaptar o texto.

As situações vividas por Zezé no palco são diversas. Em meio a uma entrevista coletiva para apresentar o livro, ela depara com as dificuldades que permeiam a vida dos casais comuns, tratados de maneira crítica, ácida e sarcástica. A identificação do público com os temas abordados é imediata. “Do palco, sempre percebo os casais se cutucando, trocando olhares. Até mesmo os mais jovens. Eles recebem isso como uma espécie de alerta”, brinca Zezé. “Esse feedback gera situações engraçadas. Um dia, após o espetáculo, uma mulher me abordou e perguntou: ‘Você colocou uma câmera lá em casa, é? É igualzinho’”, diverte-se a atriz.

Com vasta experiência no teatro e na tevê, a atriz deu início à carreira em meados da década de 1970. Os anos de estrada moldaram não somente a bagagem artística, como o amadurecimento na transição de gerações tão diferentes. “Minha geração não era de casar em igreja. Eu, por exemplo, só morei junto. Agora, não tenho nenhum desejo de ficar noiva, casar, trocar juramentos… Existem coisas mais importantes em uma relação”, completa a atriz, atualmente em cartaz na novela Beleza pura como a ex-chacrete Ivete.


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