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20/05/2009

A mulher invisível mostra rapaz solitário que idealiza moça apaixonada

Ricardo Daehn

Luana Piovani e Selton Mello vivem Amanda e Pedro no filme

São Paulo — Razão da existência do novo filme do cineasta Claudio Torres, A mulher invisível, a atriz Luana Piovani se submeteu aos esforços de uma musa inspiradora: frequentou spa, incrementou o “tônus muscular” e cuidou da alimentação. Os esforços demandaram até o uso de lingeries saídas das gavetas de casa. “Quando reclamava de algum ângulo da cena, vinha a resposta: ‘Luana, a gente ilumina muito bem carros e mulheres’”, conta, aos risos. Com estreia marcada para o dia 5, o longa que chegará em 210 cópias às salas do Brasil pode até sugerir machismo exacerbado, porém igualmente reclama boas intenções.

“É uma comédia que comove porque fala de solidão. Interpreto um sujeito que, num momento duro da vida, inventa a existência de uma mulher para viver melhor”, explica Selton Mello, que na fita interage com a idealizada moça, capaz de limpar a casa, discutir jogos de futebol e não se contaminar por ciúme. “Interpretei a Amanda fazendo do Pedro o oxigênio dela. Fiz ela completamente apaixonada, tendo substanciais cuidado e dedicação”, diz Piovani.

Curiosamente, o terceiro longa da carreira de Cláudio Torres, seguinte à Redentor e A mulher do meu amigo, teve como embrião uma passagem por Brasília. Na cidade para uma exibição feita ao presidente Lula, o diretor foi atentado por Daniel Filho para o potencial das comédias. “Por mais radical que um diretor seja, ele sonha em ter público — é inerente à profissão”, comenta. Com filmes pouco vistos (juntos, somam 400 mil espectadores), Torres procurou investir num “gênero sólido” ( a comédia romântica) que tivesse uma “gramática clara”. “No Redentor, investi em vários gêneros — o que me deu sucesso de crítica, mas trouxe problemas de compreensão”, avalia o diretor.

Ao custo de R$ 6 milhões, A mulher invisível é uma aposta da Conspiração Filmes, empresa responsável por sucessos como 2 filhos de Francisco. No enredo, em meio a um Rio de Janeiro urbano e pródigo de neuroses, Amanda brota como válvula de escape ao desenganado Pedro, que se vale da empatia do intérprete Selton Mello junto ao público. “Há 10 anos, direcionei minha carreira para o cinema e virei uma figura atuante na retomada. Me orgulho da identificação com os espectadores. Tem uma parte da crítica que reclama: ‘Não aguento mais ver a cara dele’. Vejo isso de uma forma positiva: que bom que temos atores brasileiros, que falam português e levam público para as salas”, observa Selton Mello, que fez as pazes com a profissão de ator, depois de relativa crise.

O elenco do filme se completa com Maria Manoella (Nossa vida não cabe num Opala) e Vladimir Brichta, além da participação quase afetiva de Fernanda Torres, irmã do diretor, na pele da personagem que estimula a vizinha de Pedro, Vitória (Manoella), a se libertar de paixão platônica. “Fernanda é uma atriz de criatividade e talento a toda prova. Tem carisma e animação contagiantes. Impactante, ela enlouquece, de maneira valiosa, o set de filmagem”, elogia Brichta.

Apesar do caráter patológico suscitado por Pedro — dado à vida numa realidade paralela —, Selton Mello não esconde o prazer alcançado por cenas em que o personagem supõe estar acompanhado pela tal mulher invisível. “Essas sequências eram um troço meio parecido com o onanismo: ‘Não precisa conversar com ninguém, é só trocar uma ideia com você mesmo’. Era divertido encenar com a Luana e, depois, sem ela. Acho que a Luana ficava com ciúme de me ver atuando sozinho”, entrega, às gargalhadas.

Com roteiro assinado pelo diretor — em parceria de Claudio Paiva, Maria Luisa Mendonça e Adriana Falcão —, A mulher invisível extrapola o campo das piadas. Numa das frentes do enredo, Vladimir Brichta compõe Carlos, um amigo de Pedro que responde por comportamento dúbio. “A gente usa na vida os amigos para o nosso crescimento e desenvolvimento. Não é diferente com meu personagem. Apesar de ser cômico, o filme traz inteligência, por causa dos componentes humanos”, conclui Brichta.


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